Mês da Conscientização da Infertilidade: hábitos e fatores que podem prejudicar a fertilidade de mulheres e homens
- 3 de jun.
- 3 min de leitura

Durante o Mês Mundial da Conscientização da Infertilidade, considero importante trazer um olhar para fatores que muitas vezes passam despercebidos quando falamos sobre fertilidade. Em meu trabalho como especialista em Reprodução Humana, percebo que grande parte das pessoas associa a dificuldade para engravidar apenas à idade ou a alguma condição médica específica. No entanto, o estilo de vida, o ambiente e os hábitos do dia a dia também exercem um papel importante na saúde reprodutiva.
Frequentemente, recebo em consultório pacientes que só descobrem a influência desses fatores quando começam a tentar engravidar. A fertilidade nem sempre depende exclusivamente de um diagnóstico médico. Existem hábitos e exposições ambientais capazes de impactar a qualidade dos óvulos, dos espermatozoides e até mesmo o equilíbrio hormonal.
Por isso, gostaria de destacar alguns fatores que merecem atenção.
Obesidade e excesso de peso
O excesso de peso está associado a alterações hormonais que podem prejudicar a ovulação, aumentar processos inflamatórios e dificultar a gravidez. Nos homens, a obesidade também pode reduzir a qualidade e a produção dos espermatozoides. Manter um peso saudável é um dos pilares para a preservação da fertilidade.
Tabagismo
O cigarro é um dos principais inimigos da fertilidade. Nas mulheres, pode acelerar a redução da reserva ovariana e comprometer a qualidade dos óvulos. Nos homens, está relacionado à diminuição da qualidade seminal. Por isso, abandonar o tabagismo é uma medida que beneficia não apenas a saúde geral, mas também a saúde reprodutiva.
Consumo excessivo de álcool
O consumo frequente e excessivo de bebidas alcoólicas pode interferir na produção hormonal e afetar a fertilidade tanto feminina quanto masculina. A moderação é sempre recomendada, especialmente para quem planeja uma gestação.
Alimentação inadequada
A alimentação tem impacto direto sobre diversos processos do organismo, incluindo a fertilidade. Dietas ricas em alimentos ultraprocessados, excesso de açúcar e gorduras de baixa qualidade podem favorecer inflamações e desequilíbrios hormonais.
Sedentarismo
A prática regular de atividade física contribui para o equilíbrio hormonal, auxilia no controle do peso e promove benefícios importantes para a saúde reprodutiva. Em contrapartida, o sedentarismo pode aumentar fatores de risco relacionados à infertilidade.
Estresse crônico
Embora o estresse nem sempre seja a causa direta da infertilidade, observo que ele pode interferir no funcionamento hormonal e impactar significativamente a qualidade de vida durante o período de tentativas para engravidar. Por isso, cuidar da saúde emocional também faz parte do planejamento reprodutivo.
Poluição ambiental
Diversas pesquisas vêm demonstrando que a exposição contínua a poluentes presentes no ar pode estar associada à redução da qualidade dos gametas e ao aumento de processos inflamatórios no organismo.
Exposição excessiva a plásticos
Alguns compostos químicos encontrados em determinados tipos de plástico podem atuar como desreguladores hormonais quando a exposição ocorre de forma frequente e prolongada. Esse é um tema que tem despertado cada vez mais interesse na área da saúde reprodutiva.
Uso de medicamentos e anabolizantes sem orientação
Alguns medicamentos podem impactar a fertilidade temporariamente. Já os anabolizantes exigem atenção especial, pois estão associados à redução significativa da produção de espermatozoides e podem comprometer a fertilidade masculina.
A importância do planejamento reprodutivo
Costumo dizer que o cuidado com a fertilidade deve começar antes mesmo das tentativas de engravidar. O planejamento reprodutivo permite identificar fatores de risco, orientar mudanças de hábitos e aumentar as chances de uma gestação saudável no futuro.
A informação é uma ferramenta poderosa. Quanto mais cedo homens e mulheres compreenderem os fatores que influenciam sua fertilidade, maiores serão as oportunidades de fazer escolhas conscientes e cuidar da saúde reprodutiva ao longo da vida.
Dra. Carla Iaconelli -Especialista em Reprodução Humana




Comentários